Guia · Cooperativo

Jogos cooperativos: o guia de compra do gateway ao peso 4

Curadoria Índice de Mesa · Leitura de 6 minutos

Jogo cooperativo montado sobre mesa de madeira, com tabuleiro de ilha, cartas de poder ao lado e peças de madeira posicionadas, atmosfera de partida em equipe

Cooperativo é o único gênero em que a mesa ganha ou perde junto, e a promessa fisga na hora: nada de rival do outro lado, todo mundo contra o jogo. A dúvida de quem vai comprar o primeiro é onde começar, se num gateway de peso 2.4 ou já num assimétrico de peso 4 que os fãs chamam de melhor do hobby.

O que muda num cooperativo

Num jogo cooperativo não existe vencedor solo. A mesa inteira é uma equipe contra um sistema que aperta sozinho, por regras fixas, sem um vilão pensante do outro lado.

Foi Pandemic, da Z-Man Games em 2008, que ensinou milhões de pessoas que um board game podia ter o grupo do mesmo lado. O gênero cresceu daí para campanhas, legacy e assimetria pesada.

O ponto de atenção nasce junto com a graça: o jogador alfa. Se na sua mesa sempre tem alguém que manda em tudo, o cooperativo puro frustra os mais quietos. Vale combinar que cada um decide a própria jogada.

Como funciona na mesa

O motor é sempre o mesmo em espírito. Os jogadores agem em conjunto e, no fim de cada rodada, o jogo responde: novas ameaças entram por cartas, a pressão sobe e a mesa corre atrás.

Em Pandemic cada jogador tem um papel com poder próprio, o Médico que cura mais rápido, o Cientista que descobre a cura com menos cartas, o Especialista em Logística que move gente pelo mapa. São quatro ações por turno contra quatro doenças.

Depois de agir, você vira cartas de infecção e o tabuleiro reage: cidades lotadas estouram em surto e espalham a doença em cadeia. As cartas de Epidemia aceleram o ritmo e trazem de volta o que já parecia contido.

Spirit Island sobe a régua. Todos escolhem cartas de poder ao mesmo tempo, discutem e executam: poderes rápidos resolvem antes dos colonizadores agirem, poderes lentos resolvem depois.

Essa divisão de tempo obriga a planejar dois turnos à frente e a aceitar que a fase lenta chega tarde demais para salvar um pedaço da ilha. O manual tem 24 páginas e as três primeiras partidas são de aprendizado puro.

Vale a mesa?

Depende do peso que a mesa topa. Pandemic é a porta quase perfeita: peso 2.4, 45 minutos, regra curta e decisão coletiva, ótimo para casais, família e a galera do fim de tarde.

Spirit Island é para depois que o grupo amadureceu. Peso 4.1, 90 a 120 minutos, e o único cooperativo em que difícil não vira injusto: o jogo confia que você resolve o problema e te dá as ferramentas exatas.

Nos seis critérios do Índice de Mesa, o gateway ganha em acessibilidade e custo-benefício, o assimétrico ganha em rejogabilidade e mecânica. Ambos brilham em 2 jogadores, e Spirit Island tem um dos melhores modos solo do hobby.

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Comparativo dos cooperativos

O gênero cobre do jogo de bolso à campanha de meses. Vale saber onde cada um entra antes de gastar.

  • Forbidden Island (Gamewright, 2010): também de Matt Leacock, coleta de tesouros numa ilha que afunda, peso 1.7, 30 minutos. O Pandemic enxugado e mais barato, ideal para crianças e primeiro cooperativo da casa.
  • Pandemic (Z-Man Games, 2008): controle de área contra quatro doenças, peso 2.4, 45 minutos. O avô do gênero, o mais limpo de ensinar e o mais barato de colocar na mesa.
  • The Crew (KOSMOS, 2019): trick-taking cooperativo de missões com baralho pequeno, peso 2.0, 20 minutos por missão. Cooperação por comunicação limitada, leve no preço e na caixa.
  • Aeon's End (Indie Boards & Cards, 2016): deck building cooperativo contra boss, peso 2.8. O deck não embaralha, então a sequência das cartas vira estratégia pura.
  • Pandemic Legacy Season 1 (Z-Man Games, 2015): a campanha legacy que definiu o formato, 12 a 24 sessões com história permanente. A experiência cooperativa mais marcante do hobby para grupo fixo.
  • Spirit Island (Greater Than Games, 2017): defesa assimétrica de uma ilha contra colonizadores, peso 4.1, 90 a 120 minutos. O mais denso e rejogável, para mesa madura.

Erros na hora de comprar

O tropeço mais comum é comprar o cooperativo pelo prestígio, não pela mesa que vai jogar.

  • Começar por Spirit Island: o salto de complexidade e de preço é grande, e o manual de 24 páginas afasta quem nunca cooperou numa mesa. Comece por Pandemic ou Forbidden Island.
  • Ignorar o jogador alfa: sem combinar que cada um decide a própria jogada, o líder toma conta e os quietos assistem. Combine antes de abrir a caixa.
  • Achar que cooperativo não repete desafio: Pandemic fica fácil para veteranos, e a saída é subir o número de Epidemias, não trocar de jogo.
  • Pagar por expansão cedo demais: tanto Pandemic quanto Spirit Island pedem dezenas de partidas com a base antes de qualquer complemento render.

Perguntas frequentes

Qual o melhor jogo cooperativo para começar?

Pandemic e Forbidden Island são as portas mais seguras. Pandemic pesa 2.4, dura 45 minutos e tem o melhor custo de entrada no Brasil. Forbidden Island é o mesmo autor num formato ainda mais leve e barato, ótimo com crianças.

Jogo cooperativo tem graça em 2 jogadores?

Tem, e vários brilham no formato. Pandemic flui rápido em dupla, e Spirit Island fica ainda melhor: comunicação limpa, sinergia visível e decisão ágil entre dois espíritos. Muitos cooperativos ainda trazem modo solo forte.

Vale comprar a versão nacional dos cooperativos?

Vale, e o preço mostra por quê. Pandemic pela Galápagos fica na faixa de R$130 a R$330, e Spirit Island pela Ace Studios sai por R$389 com conteúdo para mais de 100 partidas. As duas trazem regras em português e reposição no mercado.

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